Se você está aqui é porque sabe muito bem da importância dos backlinks

Desde os primórdios do Google, este é considerado o principal fator entre pelo menos duas centenas deles. No entanto, vou aproveitar a oportunidade para chamar a atenção para o termo “fator”, talvez ele não seja mais o mais adequado para denominar o papel dos links na sua estratégia de SEO.

Falaremos mais sobre isso no decorrer do artigo, mas por ora sigamos o fio da história para entender de onde viemos e para onde a gigante do Vale do Silício quer nos levar nesse passeio de link em link:

Até meados de 2005 obter backlinks no intuito de otimizar a presença das páginas do site nos resultados de busca era uma festa para quem usava a estratégia de “plantar” links nos milhares de blogs que populavam com efervescência a internet da época.

Era simples: identificar blogs dentro do nicho desejado (às vezes nem tão dentro assim); encontrar uma postagem que se relacionava com meu site e malandramente deixar um comentário: “Gostei do que você disse a respeito de... (aqui encaixava-se o assunto). Nós temos uma visão parecida, veja o que publiquei no meu site sobre (aqui o link era plantado com o texto âncora desejado)”.

Haviam variações discordando, concordando parcialmente e até simplesmente deixando o link na caixa de comentários sem cerimônia alguma.

Sei o que você está pensando nesse momento e você está certo, isso é spam.

Não preciso nem dizer que nesta altura do campeonato ninguém se preocupava muito com fatores qualitativos do link, apesar de já sabido que cada link tinha um “peso” diferente dependendo do “pagerank” de cada página, valia a máxima do “quanto mais backlinks, melhor”.

E funcionava.

Funcionava tão bem que a prática se difundiu através dos profissionais de SEO da época até o ponto em que os backlinks obtidos desta forma e também links comprados com esse intuito começaram a “poluir” o padrão de lincagem na web.

O Google estava atento a essa mudança no padrão e entendeu que isso desvirtuava a natureza própria dos links na internet (e o motivo pelo qual os links eram um fator importante na classificação dos sites) e resolveu agir, criando o valor “nofollow” para o atributo de linkrel” que tem o intuito de sinalizar para o googlebot que o site não endossa o destino daquele link, não passando “juice”, pagerank, força, etc. Não influenciando em seu ranqueamento nos resultados de busca.

O incentivo para a prática havia acabado.

Desde então é senso comum que backlinks com “nofollownão influenciam o ranqueamento.

Será que não influenciam? Sigamos...

Em 2009 o nofollow volta à cena com declarações de Matt Cutts do Google sobre ele. Desta vez haviam notado que o recurso estava sendo usado para outro propósito diferente do idealizado: o “link sculpting” que, em linhas gerais, consistia na técnica de atribuir  o nofollow em links internos de forma a concentrar todo pagerank em poucos links internos sem o atributo de acordo com o interesse do site, ou seja, manipulava-se o fluxo natural da “força” das páginas através dos links internos.

Cutts então é categórico: a partir de agora o pagerank será distribuído de acordo com a quantidade de links internos, quer eles tenham nofollow ou não (Nem uma palavra sobre links externos, diga-se de passagem).

Note: pela segunda vez só nessa história, o Google demonstra inequivocamente que está monitorando mudanças no padrão natural, orgânico da web em relação a links e faz movimentos nas peças do tabuleiro no intuito de corrigir os rumos. Guarde essa observação.

Um longo salto no tempo e chegamos a 2019, mais precisamente em Setembro quando o Google nos apresenta a maior mudança nesse item desde o lançamento do nofollow lá em 2005: a criação de novos valores para o atributo “rel”, sendo eles os valores: “sponsored” e “ugc”.

  • Sponsored: um link próprio de publicidade;
  • UGC (User Generated Content): link gerado pelo usuário do site, em um comentário, por exemplo;

O que muda? Qual a intenção disso?

Uma mudança realmente significativa veio no pacote: a partir de março de 2020 os links nofollow passam um sinal, uma dica para ser usado pelo Google em seus sistemas.

Como? Quanto? Não sabemos... ainda, mas vamos ler nas entrelinhas:

A rigor, o nofollow sempre foi usado em links de caráter publicitário ou pago e também em links de conteúdo gerado pelos usuários como acontece nas redes sociais, fóruns, etc. O que é desejado agora com esses novos valores é distinguir, qualificar e quantificar melhor cada uma dessas aplicações.

E por quê?

Eu disse anteriormente que eles monitoravam e tomavam decisões baseadas nas mudanças observadas na natureza orgânica ou não da lincagem e isso é crucial para que continuem a entregar respostas aos usuários livres de spam e manipulação (o máximo que conseguirem).

Agora, ao invés de ignorar o nofollow e seus pares (ugc e sponsored) eles declaram usar essas informações como dicas, sinais.

Isso nos dá margem a inferir que a coleta e tratamento desses dados em seus sistemas levará o buscador a compreender ainda mais o perfil de lincagem de uma página e, consequentemente, usar essa informação.

Vamos considerar um perfil de backlinks orgânico.

O que você espera encontrar em um perfil de backlinks totalmente orgânico? Bem, sinceramente acho pouco provável que exista apenas links sem atributos rel ou, como se costuma dizer, links dofollow. Aliás, saudade de um link dofollow, né minha filha? rs

Sabe por que não é natural um perfil puramente dofollow? Porque a presença online de uma entidade passa por lincar páginas de perfis em redes sociais, diretórios, fóruns, etc. E se essa entidade for um negócio, é provável que faça anúncios com links, percebe? Há naturalmente um percentual em seu perfil de backlinks com nofollow e alguns desses links podem ser muito significativos, como uma reportagem num jornal que, por padrão, adiciona nofollow em todos os links.

O Google não quer mais simplesmente ignorar essa informação (se é que o fazia totalmente), ao contrário, quer compreendê-la e aplicá-la no aperfeiçoamento de seu sistema. E quanto mais eles entenderem, mais beneficiarão àqueles que possuem um perfil entendido como saudável ou não manipulado.

Aqui segue uma pitada da minha opinião: esse benefício não se traduzirá necessariamente em posições melhores, mas talvez essa compreensão “encaixe” melhor sua empresa num determinado nicho, para buscas mais relevantes tanto para você como para o usuário, é nesse sentido que o termo “fator de ranqueamento” começa perder sentido como mencionei no início do artigo, há agora a possibilidade de envolver seu perfil de backlinks de uma forma mais abrangente, ele passará vários sinais distintos e, quanto a isso, estamos todos – inclusive o Google - ainda engatinhando!

Novos sinais, novas oportunidades!

Nada melhor do que encontrar novos caminhos a serem explorados quando o assunto é SEO, certo?

Num ambiente competitivo é sempre importante buscar estar a frente e nada melhor do que fazer experiências para preparar nossa estratégia, então vamos procurar entender melhor este cenário analisando as primeiras posições para algumas palavras-chave, isso nos dará uma ideia do que é um perfil que pode ser considerado saudável.

É claro que há vários aspectos que influenciam que estas urls estejam em primeiro lugar, mas nosso recorte para compreensão do perfil mensurará o nofollow x dofollow considerando que os outros dois valores (sponsored e ugc) ainda são ínfimos e não atingem massa crítica para análise, veja alguns exemplos representativos da pesquisa:

  • Palavra-chave: smartphone 64gb
  • página #1: https://www.zoom.com.br/celular/armazenamento-interno-64gb
  • dofollow: 89%
  • nofollow: 11%
  • total de backlinks: 9
  • palavra-chave: enem 2020
  • página #1: https://enem.inep.gov.br/
  • dofollow: 99%
  • nofollow: 1%
  • total de backlinks: 2000
  • palavra-chave: carboidrato do leite
  • página #1: https://www.tuasaude.com/alimentos-pobres-em-carboidratos/
  • dofollow: 92%
  • nofollow: 8%
  • total de backlinks: 13
  • palavra-chave: arquitetos SP
  • página #1: https://www.homify.com.br/profissionais/arquitetos-em-sao-paulo
  • dofollow: 91%
  • nofollow: 9%
  • total de backlinks: 11
  • palavra-chave: máquina de café em cápsula
  • página #1: https://www.americanas.com.br/busca/maquina-de-cafe-expresso
  • dofollow: 50%
  • nofollow: 50%
  • total de backlinks: 2

Podemos observar como a presença de backlinks com nofollow é consistente em nichos diferentes, em menor proporção e quanto maior a quantidade de backlinks, menor essa proporção. Claro que esses dados, pelas características apresentadas não são estatisticamente válidos para uma conclusão definitiva mas, de um modo geral, é possível encontrar indícios de que as SERPs refletem nossa ideia intuitiva do que vem a ser um perfil saudável de backlinks no que se refere a nofollow e considerando que a partir de agora sinalizarão para o Google características do nosso conteúdo/página/site, convém trabalhar aspectos para além do pagerank em todos os nossos backlinks, independente de serem ou não nofollow.

Próximos passos

Acredito que os textos âncoras nos backlinks nofollow devem ganhar mais atenção a partir de agora, assim como o contexto em que estão inseridos. E você o que acha que merecerá mais sua atenção a partir de agora? Como podemos evoluir nossas experiências com backlinks? Deixe seu comentário e vamos juntos!

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Thiago CazzaroEu sou consultor de SEO e sócio da AtivaClick há mais de 12 anos, leciono sobre Marketing de Busca (SEM) em cursos livres (ComSchool), graduação e pós-graduação. Sou graduado em Imagem e Som pela Federal de São Carlos (Ufscar) e cursei MBA em B.I. (Business Intelligence).
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